VI CONGRESSO INTERNACIONAL

Nampula, 22 a 24 de Novembro de 2023

LEMA : Universidade Católica de Moçambique Promovendo a Fraternidade em prol do Desenvolvimento Sustentável.

I. Fundamentação

No mundo actual, esmorecem os sentimentos de pertença à mesma humanidade e o sonho de construirmos juntos a justiça e a paz parecem uma utopia doutros tempos. Reina uma indiferença acomodada, fria e globalizada: considerar que podemos ser omnipotentes e esquecer que nos encontramos todos no mesmo barco. É verdade que uma tragédia global como a pandemia do Covid-19 despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho e que só é possível salvar-nos juntos. (Fratelli Tutti, nºs 30-32).

Nos nossos dias, graças aos notáveis progressos científicos e tecnológicos, nota-se uma crescente riqueza económica que, infelizmente, é acompanhada por um acentuado crescimento da pobreza relativa, e até absoluta. Perante este facto inegável, a humanidade enfrenta, como afirma o Papa Francisco, o desafio de assegurar uma globalização sem marginalização, uma globalização na fraternidade e solidariedade e não na indiferença. Por isso, Sua Santidade, o Papa Francisco, apela à atenção da humanidade sobre o urgente desafio de proteger a nossa casa comum. Para o efeito, a união de toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, é necessária e indispensável pois, sabemos que juntos as coisas podem mudar. (Laudato Si, nº 13).

Nesta perspectiva, não se pode deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. A análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da relação de cada pessoa consigo mesma, que gera um modo específico de se relacionar com os outros e com o meio ambiente pois, no nosso dia-a-dia, tal como foi no passado, há uma interacção interdependente entre os ecossistemas e entre os diferentes mundos de referência social e, assim, se demonstra mais uma vez que “o todo é superior à parte”. (Laudato Si, nº 141).

Para o Papa Francisco, o desenvolvimento não deve orientar-se para a acumulação sempre maior de riquezas por poucos, mas há de assegurar o exercício pleno dos «direitos humanos, pessoais e sociais, económicos e políticos, incluindo os direitos das nações e dos povos» (Fratelli Tutti, nº 99). O direito de alguns à liberdade de empresa ou de mercado não pode estar acima dos direitos dos povos e da dignidade dos pobres; nem acima do respeito pelo ambiente, pois «quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos». (Fratelli Tutti, nº 122).

A reflexão do Santo Padre Francisco entra em consonância com a agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, que visa a erradicação da pobreza extrema, a redução das desigualdades sociais e a protecção do planeta e das comunidades fragilizadas. A agenda 2030 constitui uma chamada evidente para uma vigorosa acção de todas as nações do mundo, sociedade civil, organizações internacionais, instituições académicas, políticas, sociais, económicas, em nome das pessoas, das comunidades, do planeta e da prosperidade na fraternidade. Ela incentiva-nos a tomar medidas corajosas e transformativas, que são urgentemente necessárias, a fim de conduzir o mundo para o rumo da sustentabilidade e da resiliência solidária e fraterna. 

A agenda 2030 assenta em cinco dimensões críticas, nomeadamente: pessoas (comunidades), prosperidade, planeta, parceria e paz, que devem nortear as decisões políticas de desenvolvimento sustentável.  Assim, para que uma intervenção em prol do desenvolvimento seja considerada sustentável, deve levar em linha de conta as suas repercussões sociais sobre as comunidades desfavorecidas e fragilizadas, económicas e ambientais, bem como suscitar escolhas conscientes em termos de compromisso, sinergias e efeitos secundários que a decisão poderá acarretar.

Por seu turno, a agenda 2063 da União Africana augura uma África integrada, unida, próspera, baseada no crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável; uma África de boa governação, democracia, justiça e de estado de direito, cujo desenvolvimento seja orientado para as pessoas e comunidades desfavorecidas e fragilizadas. 

Inspirada nos princípios de fraternidade, diálogo, paz e parceria internacional para o desenvolvimento sustentável e, reconhecendo que, no Ensino Superior, a investigação científica constitui a base legitimadora do que se ensina e pilar estruturador que sustenta as práticas pedagógicas e a qualidade dos serviços educativos prestados às pessoas e às comunidades, a Universidade Católica de Moçambique (UCM) vai realizar, nos dias 22, 23 e 24 de Novembro de 2023, o seu VI Congresso Internacional, evento aberto para todos os que estiverem interessados em participar, subordinado ao lema Universidade Católica de Moçambique Promovendo a Fraternidade em prol do Desenvolvimento Sustentável”.

II. Objectivos

Com a realização do VI Congresso Internacional, a UCM pretende proporcionar um ambiente propício para o debate científico/académico onde se privilegie a triangulação de vários olhares disciplinares em torno do lema e das temáticas envolventes. Neste contexto, os principais objectivos do Congresso são:

  1. Aprofundar os quadros teóricos, conceptuais, disciplinares e interdisciplinares que sustentam a doutrina da fraternidade, protecção da casa comum, diálogo social e desenvolvimento sustentável;
  2. Partilhar estudos, experiências e projectos de investigação, tendo como objecto privilegiado, as diversas áreas definidas no âmbito dos painéis e temáticas deste Congresso.

III. Temáticas

O VI Congresso Internacional da UCM terá como espinha dorsal, cinco temáticas que abrangem as áreas do saber que são cobertas por esta Instituição do Ensino Superior, nomeadamente:

  1. Transição energética, exploração de recursos naturais, protecção da casa comum e das comunidades locais, em prol do desenvolvimento sustentável;
  2. O papel da educação e das ciências sociais na promoção do desenvolvimento do capital humano, das comunidades locais, da fraternidade, diálogo social e intergeracional, em prol do desenvolvimento sustentável;
  3. O papel da cooperação internacional na promoção da fraternidade, paz, protecção da casa comum e das comunidades, em prol do desenvolvimento sustentável;
  4. O papel das confissões religiosas na promoção da fraternidade, do diálogo social, ecuménico, intergeracional e protecção da casa comum e das comunidades, em prol do desenvolvimento sustentável;
  5. O papel das ciências de saúde, engenharias e das tecnologias na promoção da fraternidade, humanização e protecção da casa comum e das comunidades, em prol do desenvolvimento sustentável.

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