Terça-feira · 22 Agosto 2017
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Beira | 30.11.2017

2017- O ano de Dom Sebastião Soares de Resende, Primeiro Bispo da Beira

Ao completar os 50 anos após a morte do primeiro Bispo da Beira, a Arquidiocese da Beira dedica o presente ano de 2017, a Dom Sebastião Soares de Resende, seu primeiro Bispo.

Dom Sebastião Soares de Resende, primeiro Bispo da Diocese da Beira, nasceu a 14 de Junho de 1906 na Freguesia de Milheiros de Poiares, Município de Santa Maria da Feira, Portugal. De 1923-1924 frequentou os estudos Propedêuticos no Seminário de Vilar na cidade do Porto, e em 1926 matriculou-se em Teologia no Seminário Maior do Porto, concluindo os estudos em 1928. No dia 21 de Outubro de 1928 foi ordenado Presbítero. Em Novembro de 1928 foi enviado para Itália para concluir o Doutoramento em Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, seguido de curso de especialização em Teologia. Ainda na Itália obteve a graduação em Ciências Sociais pelo Instituto de Ciências Sociais de Bérgamo. Durante a sua estadia em Roma assistiu, ainda, à assinatura do Tratado de Latrão entre o Cardeal Pietro Gasparri e Benito Mussolini, e, terminados os estudos regressou à cidade do Porto. A partir de 1933, foi sucessivamente Professor de Filosofia e teologia sacramental no Seminário Maior do Porto e Vice-Reitor. Em 1935 foi eleito Cónego e membro do cabido da catedral do Porto. A 4 de Setembro de 1940, através da Bula Solemnibus conventionibus, o Papa Pio XII criou a Diocese da Beira e designou em 21 de Abril de 1943 Dom Sebastião Soares de Resende o seu primeiro Bispo, tendo sido sagrado Bispo na cidade do Porto, a 15 de Agosto de 1943. Depois da sagração episcopal, Dom Sebastião Soares de Resende partiu de Portugal, tendo chegado a Moçambique a 30 de Novembro de 1943. Tomou posse como primeiro Bispo da Beira a 8 de Dezembro do mesmo ano (1943).
Na Diocese da Beira, durante o exercício do seu múnus episcopal, Dom Sebastião Soares de Resende criou várias infraestruturas para a evangelização, concretamente, Paróquias e missões, e introduziu pela primeira vez na Diocese da Beira o ensino secundário geral. Igualmente, fundou o Instituto D. Gonçalo de Silveira, actual Faculdade de Ciências Medicas da UCM, o Colégio Nossa Senhora dos Anjos actual Faculdade de Economia e Gestão só para citar alguns exemplos. No que concerne as infraestruturas sociais, Dom Sebastião mandou construir os hospitais Dona Amelia actual hospital da Ponta-Gêa e o Hospital de Macúti. Quanto aos meios de comunicação social, Dom Sebastião Soares de Resende criou a “revista Economia”, o “Diário de Moçambique” e foi o Pai do semanário “A voz Africana”. Uma carta pastoral de 1951, indica que Dom Sebastião Soares de Resende foi o primeiro Prelado a lançar a ideia da criação de uma Universidade na África Oriental com o cunho profundamente local e não transplantada, e que teria sede em Moçambique, para facilitar o acolhimento de estudantes tanto do oriente como do ocidente.
A 10 de Setembro de 1949, Dom Sebastião Soares de Resende fundou o Seminário “S. João de Brito” no Zóbue, Tete, destinado à formação do clero e entregue aos Padres Brancos, cuja obra, viria a ordenar os dois primeiros sacerdotes moçambicanos negros, na Paróquia de Macúti, a 15 de Agosto de 1964: o Rev. Pe. Mateus Pinho Guengere e Rev. Pe. Sabudu Mucauro.
A nível nacional, elaborou várias cartas Pastorais, sendo muitas delas, a favor da autodeterminação dos Moçambicanos. A nível internacional Dom Sebastião correu o mundo defendendo a causa de Moçambique, sendo de destacar algumas viagens pelos continentes Americano e Europeu. Em 1966, Dom Sebastião foi convidado para participar no Concilio Vaticano II e contribuiu na fase de preparação do concilio, respondendo em de 30 de Agosto de 1959, o pedido de sugestões acerca dos pontos mais relevantes a tratar. Foi um dos Bispos mais interventivos em todo o Concilio Vaticano II.
Pouco antes de ter regressado do concílio, a 20 de Janeiro de 1966, os médicos diagnosticam-lhe um tumor maligno. No mesmo mês foi observado pelos médicos confirmando-se o pior, tendo os médicos decidido por lhe operar. No dia 11 de Fevereiro 1966, Dom Sebastião redigiu o seu testamento espiritual e ecuménico, e no dia 13 regressou para a Diocese da Beira. Da cidade da Beira viajou ainda no dia 23 de Fevereiro para Alemanha para tratamento. Depois de tratamento médico, os médicos aconselharam-no a repousar junto da família em Portugal, mas Dom Sebastião decidiu regressar para Beira embora com uma paragem, de novo, em Roma. Já na cidade da Beira e dada a gravidade do estado da saúde, no dia 22 de Novembro de 1966, na capela do Paço Episcopal e na presença de todo clero e do Pároco da catedral, Dom Sebastião, de joelhos, recebeu a santa unção dos enfermos e pediu perdão ao clero, às irmãs e aos irmãos. Três semanas antes de morrer, Dom Sebastião Soares de Resende, viajou para Estocolmo, Suécia, de novo para tratamentos médicos, tendo regressado definitivamente à Beira a 13 de Janeiro de 1967. Aquando do seu regresso a Beira, para além dos sacerdotes da Diocese, aguardava o Bispo no aeroporto, o Director do hospital o Dr. Lacerda Escobar com uma ambulância. Saiu em maca do avião para a ambulância. Ao ser perguntado se queria ir para o Paço episcopal ou para o hospital, Dom Sebastião Soares de Resende apressou-se a responder. “ Vamos para casa”. “Um Bispo morre na sua casa”. Os dias seguintes, foram de agonia e o estado de saúde do Bispo agravava-se. Enquanto agonizava, as comunidades hindus, muçulmanas e ortodoxas rezavam em diferentes templos da cidade, pela saúde do primeiro Bispo católico. No dia 25 de Janeiro de 1967 pelas 10 horas e 45 minutos, Dom Sebastião Soares de Resende morre no Paço episcopal. No dia 27 de Janeiro foram realizadas as exéquias fúnebres dirigidas por Arcebispo de Lourenço Marques, fim de quais, Dom Sebastião foi sepultado no cemitério Santa Isabel na Beira.
No seu testamento Dom Sebastião Soares de Resende deixou expresso o seguinte: “Agradeço a Deus, Trindade Santa”; “ Peço perdão aos irmãos em Cristo e a todos os colaboradores e habitantes da Diocese, cristãos e não cristãos ”; “Quantos aos bens materiais nada tenho a dispor, porque nada possuo”. “ Gostaria que em algum trajecto para a minha sepultura, os cristãos africanos pegassem no meu caixão ”. “O enterro deve ser simplicíssimo”. “ Gostaria que fosse sepultado em simples campa rasa para que seja mais calcado pelos visitantes ”. “ Sobre a campa, uma pequena pedra por cima escrito, Dom Sebastião Soares de Resende primeiro Bispo da Beira ”.
“ Aí ficarei e aí esperarei a ressurreição da carne para o juízo final ”.

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